SENTIMENTOS DA ALMA

AISHA DJEMILA

Seria uma loucura fugir do que amo. MOURO

Saturday 26 June 2010 08:46 , em SENTIMENTOS DA ALMA


BLEDI OMRI

Algo que me é caro ao meu espírito, abraçado ao meu coração.  MOURO

Saturday 26 June 2010 08:43 , em SENTIMENTOS DA ALMA


O PAPAGAIO DE PAPEL

 

 

 

 

Toda a sua alegria voava agora nas alturas, o adulto ficara tímido e envergonhado, quando vira a sua criança interior libertar-se, na forma daquele papagaio artesanal, transportava nele uma energia que quisera partilhar, que prometera um dia sempre vivenciar, levava com ele o seu grito de liberdade, que também um dia fora aprisionado pela vida dos homens, sentira vergonha de não ter tido a coragem para ser ele próprio, sentia agora o peso por ter tomado um caminho que o afastara de si, de DEUS, tomara o rumo que lhe fora indicado, assumira a posse de bens como permanentes, assumira que a morte era para os outros, tomara como garantidas situações económicas que criara, agora deitado de costas na relva, olhava o papagaio que no céu rodopiava ou mesmo planava a seu belo prazer, porém por ele comandado, sentia-se incomodado sem perceber porquê, fixou-lhe os olhos e sonhou de novo com a liberdade que o vento insistia em lhe mostrar, perdeu-se em memoráveis rodopios na sua vida que esvoaçava presa por um fio, percebeu então, que o papagaio apenas queria liberdade, para expressar a sua alegria de forma própria á revelia da sua, para partir sem saber para onde, mas na alegria da busca, sem se preocupar com a direcção, confiando apenas na vida, reviu-se então naquele frágil papagaio de papel, era ele no alto cheirando, respirando a liberdade que tanta falta sentia, o fio que o ligava ao mesmo, era a sua vida que por outros era decidida, já nem se lembrava de quando decidira amar um sonho e por ele lutar, ele, representava a sociedade que era feita da anulação da vontade, em prole de um grupo que há muito fora anulado, vivenciando toda a espécie de castrações, uma sociedade que se queria perfeita, mas fértil em mecanismos disparatados, que senão morria da doença, morreria da cura, uma sociedade que vivia de uma forma paradoxal, apregoando a defesa da liberdade mas tolhendo-a na sua mais pura forma de expressão, sentia que algo devia fazer, lentamente, muito lentamente, abriu os dedos e soltou o papagaio, este de imediato saltou livre no vento, sentiu dentro da si a alegria do acto, viu-o rodopiar várias vezes, ganhou altura e alegre afastou-se, até se perder na linha do horizonte, tomara uma decisão, não voltaria atrás, sentou-se ao volante do seu carro, não como o homem, agora era aquele papagaio de papel que iria viver na liberdade de ser livre, sorriu e acelerou na direcção da linha do horizonte até nela se fundir.

 

Thursday 24 June 2010 12:18 , em SENTIMENTOS DA ALMA


NUMA ALQUIMIA ESPECIAL.

 

 

 

Numa sequência infinita, a noite sucede ao dia, para logo o dia suceder à noite, caminho na eternidade com a certeza, de que a seguir à morte logo a vida lhe sucede, sou neste momento um mundo de sentires feito de afectos e desafectos, sou a soma das muitas reencarnações na longa estrada da vida eterna, como uma pedra que a intempérie molda,  debaixo de terríveis provações, aquecido por muitos amores , temperado com o sal das lágrimas e suor, polido pelo  calor e doçura do toque carinhoso, o meu espírito sente-se feliz neste meu corpo, deslizo pela praia de um modo silencioso, as ondas do mar envolvem os meus pés de forma muito peculiar, o prazer que me provocam é deliciosamente inebriante, os meus olhos divagam pela linha do horizonte onde supostamente o mar é separado do céu, essa separação apenas existe na minha imaginação, é para lá dessa linha que tu te encontras, perco-me na fusão dos sentires, entro por um país onde apenas o amor existe, reparo como é bela a cadência das ondas, como lindos tapetes criados por tecelões invisíveis, estendem pela areia da praia os mais belos padrões, desenhados no momento sem cópia possível, são momentos únicos de pura liberdade e alegria, saem de um mundo liquido numa aventura arrojada por outro sólido, porém com a mesma alegria que chegam elas voltam, eu sou onda nesse momento, reparo como está gostoso o vento, um pouco frio e agreste, porém carregado de cheiros de todo o lado, uma alegria imensa faz-se presente na forma de um odor a maresia,  foi misturado pelo Maior dos alquimistas, que de uma forma simples Misturou as mais exóticas essências marinhas, num sopro Seu espalha pelo mundo e por todos esta benesse, perco-me na absorção de tão simples e magnifica Criação, sinto-me feliz nesta vivência por mim escolhida, perco-me não na vivência dos problemas do dia a dia, mas na absorção total de todos estes maravilhosos momentos de calmaria, de que a minha vida é fértil, sinto-me livre, sou livre para amar essa mesma vida, nesta simbiose eu encontro a felicidade possível neste mundo, num toque da agua salgada na minha pele, numa caricia do vento salpicado de sal marinho, na forma gentilmente especial como a areia se molda para os meus pés acolher, na liberdade com que projecto os meus pensamentos, na forma como respiro todo este manancial, nesta forma de ser livre, nesta liberdade de deixar o meu espírito voar, apenas as aves, o mar, a areia, o céu e mais alguns elementos, compreendem como sou feliz, como sou livre, como sou simplesmente eu.

MOURO

Thursday 24 June 2010 12:14 , em SENTIMENTOS DA ALMA


A FOLHA QUE TEVE CORAGEM

Blogue de mouro :MOUROAGRESTE, A FOLHA QUE TEVE CORAGEM

Fascinado olhava a dança mágica, que uma pequena folha executava, com extrema graciosidade, desde o momento em que partira, em que se desligara da mãe árvore, cheia de vontade lançou-se nos braços do seu amante, este soprou docemente, na sua direcção um poema de tal ternura, que esta se sentiu a mais livre e feliz das folhas, pouco lhe importava se o percurso seria curto, porém tinha a certeza que ia vivê-lo na intensidade máxima, gostava dos detalhes inconfessáveis desta relação proibida, deleitava-se ao imaginar os pensamentos invejosos das outras, que por medo do incerto se esqueciam de viver, sorria de alegria a cada toque do amante, este desenhava  com ela, trajectórias capazes de desafiar a linha ao infinito, as formas eram arrojadas a tal ponto de escandalizar, na sua viagem cheia de vida, ela deixava-se ir simplesmente, sorria no seu interior, pois tivera a coragem de enfrentar o desconhecido, de enfrentar uma série de normas estériotipadas, em que tudo era medido pela estranha medida do alqueive, fossem sólidos, liquídos ou mesmo gases, mas ela desde jovem, que sentia vontade de desafiar o sistema, quando a oportunidade se fez presente nem hesitou, simplesmente sorriu e entregou-se na sua candura, vieram-lhe á memória os tempos de juventude, que em tardes de soalheiro, via as mais velhas definharem, tornarem-se amareladas de o passarem pelo tempo, ouvia-lhes os comentários amargurados e sabia que o seu destino seria diferente, definitivamente não queria aquilo para ela, ao contrário das outras que olhavam para o chão seco e dourado, ela olhava para o céu azul, apaixonou-se á primeira vez que o seu amante vento a tocou, sentiu um tal arrepio de prazer que soube no momento o seu destino, prometeu a si própria, que quando ele quisesse, seria sua amante até ao fim, dito e feito, agora que a sua aventura chegava ao fim, sorria para si, plena de felicidade, tivera a coragem de viver o sonho, como tal a recompensa fazia-se presente, sentia-se plena e se tivesse que voltar atrás, voltaria a fazer o mesmo, chegava ao fim com a certeza, que mais vale viver apesar do medo, do que por causa do medo não viver de todo.  Tudo de bom  MOURO

Sunday 03 May 2009 09:54 , em SENTIMENTOS DA ALMA


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