É noite lá fora, o céu escuro brinda-nos com as suas estrelas, o silêncio abate-se sobre a cidade, um vento quente está presente, transporta com ele uma essência súbtil, toca-me primeiramente de um modo suave, chega como quem não quer nada, sinto-me inquieto, algo dentro de mim desperta, algo que tento controlar desesperadamente, mas cá dentro eu sei, onde isto me leva, é então que ele me envolve numa carícia violenta, num despertamente tão intenso que me faz doer, leva-me ás lágrimas, esta incrível saudade que sinto, transporte comigo desde sempre, sei que não é só desta vida, mas algo de vidas passadas, algo que me leva a não permitir, que o meu jeep pise a areia do deserto, pois é para mim uma profanação, recordo-me das noites quentes, em que deitado sobre a areia quente do deserto, eu num ritmo de vida ditado pelo ciclo sol/lua, ficava observando o firmamento escuro, as estrelas eram tantas que parecia não haver lugar para mais, observava as migrações estrelares, sentia mil e uma carícias da areia, e embalado pelo vento quente, adormecia enrolado nas minhas emoções, sonhando com mil e uma aventuras, recordava aquele menino que falava com o vento, que lhe contava os sonhos, que brincava nos seus remoínhos, que adormecia a ouvi-lo contar do mundo lá fora, de como se sentia furioso pelo que os homens faziam aos seus irmãos, elementos da natureza, mas adorava sobretudo a sua liberdade, hoje á distância desses dias, não quero saber das frases, esquece o passado, quero apenas envolver-me nos seus braços e sentir as lágrimas molharem o meu rosto,quero apenas ser este Ser humano simples, cheio de emoções , quero apenas estar com ele e sentir a doce dôr, que transporta a saudade do meu deserto. Um grande bem haja. MOURO



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